Sobre o ABC

por Guilherme Afonso e Márcio Urios

Introdução

A região do Grande ABC ou ABC Paulista, faz parte da região metropolitana da capital paulista, a Grande São Paulo, sendo reconhecida pelo vigor seu econômico e pela sua alta industrialização. A sigla ABC é determinada pelos nomes doas seus principais municípios: Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, porém a região conta ainda cós os municípios de Mauá, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

Mapa da região do ABC paulista
Mapa da região do ABC paulista

Importante reserva de abastecimento de água para a região do ABC e da Grande São Paulo, a Represa Billings banha 5 municípios da Região.

O acesso entre a região, a cidade de São Paulo e ao litoral paulista é feito principalmente entre as rodovias Anchieta e Imigrantes, pelos corredores de trolebus e pelos trens urbanos da CPTM.

Atualmente a região conta com aproximadamente 2,5 milhões de habitantes, segundo estimativas do IBGE (2007), sendo os municípios de São Bernardo do Campo e de Santo André, os mais populosos, com, respectivamente 781 mil e 668 mil habitantes.

Apesar de haver áreas de risco para a população e domicílios inadequados como favelas, cortiços e ares de mananciais, onde vive parte expressiva da população da região, o ABC possui uma alta média de IDH (índice de desenvolvimento humano), sendo o município de São Caetano do Sul, o detentor do maior IDH médio do estado de São Paulo e um dos maiores do Brasil.

História

A origem da região do ABC é datada do século XVI, no Brasil-Colônia. A vila de Santo André da Borda do Campo foi fundada em 1553 pelo bandeirante português João Ramalho. Sofrendo oposição dos índios que habitavam a região ,dificuldades de subsistência e com o interesse pela interiorização no território da colônia para a procura e exploração de riquezas minerais, a vila de Santo André foi transferida para São Paulo de Piratininga em 1560 (atual São Paulo). A região então passou a ser um bairro de São Paulo e passou por um bom período de estagnação.

Durante os séculos XVII e XVIII, a economia da região ficou restrita à subsistência sob o domínio de fazendas pertencentes aos beneditinos.

A região se modernizou no século XIX com a instalação da ferrovia Santos-Jundiaí pela companhia inglesa São Paulo Railway nas proximidades do Rio Tamanduateí, em 1870, cujo empreendimento visava a melhoria do transporte de gêneros agrícolas do interior do estado de São Paulo até o porto de Santos, em especial o café.

Marco zero de Santo André
Marco zero de Santo André

Com esse empreendimento, começaram a instalar-se indústrias na região, que viam vantagens em relação ao transporte e disponibilidade de áreas próximas à linha férrea, além de incentivos fiscais apresentados pelo município.

Estação Ferroviéria de São Caetano do Sul - 1960
Estação Ferroviéria de São Caetano do Sul – 1960

A mesma estação, em 2004
A mesma estação, em 2004

Nessa época foram instaladas colônias dos imigrantes na região, pois estes vieram atraídos à procura de empregos que o crescimento econômico da região proporcionara.

Em 1889 foi criado o município de São Bernardo, que abrangia toda a área da Região do ABC. De economia marcada pela industrialização, em geral, a setores ligados à produção moveleira, química e têxtil, a mão de obra principal já era composta de imigrantes. A maior parte dessas empresas eram de pequeno porte e sua produção era um “misto” entre industrial e artesanal. Boa parte dessas indústrias, com a concorrência de indústrias mais tecnicamente avançadas, implantadas na região a partir da década de 1950, faliram por não conseguirem modernizar-se também.

O distrito de Santo André abrigava na década de 1930, muitas indústrias importantes que se localizavam às margens da Estação São Bernardo e muitos de seus moradores eram políticos importantes na região, o que causou a conseqüente mudança de sede do município de São Bernardo para Santo André e toda a região do ABC passou a ser denominada pelo nome Santo André.

Surgiram então, já na década de 1940, movimentos emancipacionistas na região. Em 1945, São Bernardo do Campo consegui a emancipação, em 1949, São Caetano do Sul e em 1953, Mauá e Ribeirão Pires.

A partir da década de 1950, houve uma mudança nas características das indústrias de região. Com investimentos privados, estatais e devido às facilidades no transporte e incentivos fiscais dos municípios, ocorreu grande crescimento nos setores automobilístico, metalúrgico, mecânico, químico, petroquímico, de material elétrico e de auto-peças na região, indústrias que necessitavam de mão de obra mais especializada.

São Bernardo do Campo
São Bernardo do Campo

Com essa industrialização tecnológica, surgiram as organizações de classe na região do ABC, os sindicatos, que foram regularizados e permitidos pelo governo de Getúlio Vargas, sendo os principais Os Sindicatos dos Metalúrgicos e dos Químicos do ABC. Essas organizações sindicais, organizados pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), mais tarde, durante o Regime Militar (1964-1985) viriam a organizar a classe operária da região tanto na luta pelos direitos a serem adquiridos pela classe, tais como melhores condições salariais e redução da jornada de trabalho, quanto pela Democratização do País e pela volta das liberdades políticas e ideológicas no Brasil. As greves das décadas de 1970 e 1980 marcaram o auge do sindicalismo na região e no Brasil, já com o Governo Militar politicamente enfraquecido, movimento esse que contou com o apoio de outros setores da população civil e dos setores de esquerda e/ou oposição ao regime. Daí saiu a projeção do atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (2002-2010), então Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e de outros personagens políticos importantes.

Na década de 1970 houve uma expansão e concentração do parque industrial brasileiro em São Paulo,sendo o ABC, a principal região industrial do estado no momento denominado “milagre econômico”.

Já na década seguinte ritmo de crescimento sofreu um decréscimo, culminando na recessão da década de 1980.

Na década de 1990, a produção industrial continuou desacelerada na região, com as indústrias migrando da região do ABC e Grande São Paulo para o interior do estado e para outros estados também, devido a incentivos fiscais e vantagens em relação ao custo da mão de obra. A região perdeu muitas indústrias. Atualmente o setor de serviços e comércio está ganhando mais visibilidade na região, mas a região ainda é um dos pólos industriais brasileiros mais importantes.

Economia

Como anteriormente frisado, a região do Grande ABC ganhou status nacional devido principalmente à sua forte economia baseada na indústria de transformação em diversos seguimentos. Em São Bernardo do Campo, basearam-se as primeiras indústrias automobilísticas do Brasil: Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz, Scania, Karmann- Ghia e Toyota, além dessas indústrias, a cidade é importante também nos setores metalúrgico, mecânico e de materiais elétricos, que complementam-se ao setor automotivo. Santo André e Mauá concentram um forte setor petroquímico, onde estão sediadas refinarias e plantas industriais de duas das empresas mais importantes do mundo nessas áreas: Petrobrás e a Rhodia Industrial.. Diadema concentra muitas indústrias complementares ao setor automotivo, especializadas em auto-peças e componentes automobilísticos, além de setor químico, de plásticos e produtos farmacêuticos expressivo.

A cidade de São Caetano possui ainda indústrias metalúrgicas e de setor mecânico, além da montadora General Motors.

São Caetano do Sul
São Caetano do Sul

Atualmente, o setor de comércio e serviços está ganhando importância na região e, em termos de mão de obra empregada, o setor já ultrapassa o da indústria devido à migração de indústrias para outros locais onde existem mais vantagens fiscais e menores salários que a região do ABC e, logicamente devido ao processo de modernização das indústrias, as quais não requerem tanta mão de obra como no passado, mão de obra essa, que passa a fazer parte do setor terciário. Hoje há um esforço das entidades de classe, das três esferas governamentais e da sociedade civil e empresarial para reestruturar e manter as indústrias seus empregos na região.

O setor terciário está difuso no ABC, contando com diversas lojas comerciais nos centros e bairros dos municípios, dezenas de shoppings centeres, centenas de lojas especializadas e supermercados, empresas de prestação de serviços dos mais diversos gêneros, escritórios de assessoria jurídica, de análise financeira e empresarial e de auditoria.

Pertencente ao setor terciário, os serviços de turismo vêm crescendo na região, principalmente nas proximidades da Represa Billings e da Serra do Mar, além dos municípios de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, onde os visitantes procuram ter contato com a natureza remanescente e fazer trilhas ecológicas. Patrimônio histórico Nacional, o distrito de Paranapiacaba ,pertencente a Santo André, que este ano de 2008 concorreu a Patrimônio Cultural da Humanidade, teve muitas de suas edificações centenárias restauradas e é uma alternativa ao setor turístico da região.

A região do ABC Paulista, apesar de suas mudanças, ainda é uma das regiões mais importantes do estado de São Paulo, em termos econômicos e de expressão nacional.

No montante conta com um PIB (produto interno bruto) de aproximadamente 52 bilhões de reais/ano a preço de mercado corrente, segundo o IBGE (2005)

Vídeos ABC

Santo André:

São Bernardo do Campo:

São Caetano do Sul:

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